Relato de Anderson Diógenes Pavanello referente a sua experiência com Stakeholders. Confira abaixo!

Ter iniciativa, capacidade de planejamento, liderança, autoconfiança e perseverança são fundamentais para lidar com as incertezas de empreender. Identificar de forma assertiva os stakeholders, partes interessadas ou intervenientes em um determinado negócio, é fundamental para aumentar as chances de sucesso.

Em 2002, o CEDAS – Centro de Desenvolvimento de Aplicações e Soluções – era um espaço reservado para desenvolvimento de aplicativos e integração de empresas parceiras com a rede da operadora de telefonia móvel em que eu trabalhava.

Na época foram desenvolvidos aplicativos que permitiam o monitoramento a distância de veículo via celular, pagamento online, automação de força de venda, telemetria, navegação e orientação de rotas através de um PDA (precursor do IPAD e tablets atuais) conectado a um GPS e a rede celular, entre outros. Uau! Hoje tudo isso é parte do nosso dia-a-dia, mas

em 2002 imaginem que eram coisas realmente muito avançadas.

Empreendedorismo – A importância de identificar os Stakeholders 1

Um dos cases mais promissores dizia respeito ao monitoramento, telemetria e envio de comandos para veículos. Tínhamos parceria com uma empresa estrangeira que fornecia o software de monitoramento e também uma caixa preta com atuadores e sensores e uma placa de telefone celular embarcada que era instalada no veículo.

Fizemos a integração da solução com a rede celular da operadora, o que possibilita o recebimento de informações (posição do veículo, status do alarme, luzes de alerta, etc..) no celular, bem como o envio de comandos básicos como: destravamento das portas, ativação e desativação do alarme e acionamento das luzes de alerta. Sacar o celular do bolso e enviar comando para o seu carro parecia coisa de ficção científica, tinha realmente muito apelo.

Mostramos um protótipo para o presidente da companhia que logo nos liberou a verba para montarmos um estande no Salão do Automóvel daquele ano no Anhembi. Levamos um carro e uma motocicleta totalmente adesivados com o logotipo da operadora, foi espetacular! O público ficou encantado, todos queriam ver a nossa engenhoca funcionando: tiravam fotos, abriam as portas, acionavam o alarme e tiravam dúvidas. Até mesmo a beleza das(os) modelos contratadas(os) para o estande ficavam para segundo plano.

E porque uma solução com tanto apelo de marketing, apresentada no Salão do Automóvel de 2002, nunca foi para o mercado? Porque apenas hoje outras empresas apresentam soluções similares e, obviamente muito mais completas e sofisticadas, que estão disponíveis para alguns nichos de veículos?

Imaginávamos que o caminho era desenvolver o fabricante, rede de distribuição e instalação das caixas pretas, aquelas com atuadores e sensores e uma placa de telefone celular embarcada que era instalada no veículo. Mas quem em sã consciência iria pegar um veículo

novo ou seminovo (não conseguimos chegar a um preço menor do que 700 USD pela caixa instalada), cortar e remendar todo o chicote elétrico do carro e pagar a conta de celular para o carro para ter a tal solução? Certamente encontraria seu público, mas este não seria suficientemente grande para justificar a empreitada.

Tal solução carecia do envolvimento de stakeholders muito poderosos: as montadoras de veículos!

Estes exigiriam muita energia, desenvolvimento, testes, tempo e dinheiro, muito, muito mais que nós e nosso parceiro estrangeiro dispúnhamos….”